Usar xampu de cavalo no cabelo faz mal? Especialista explica riscos graves após caso em MS
06/05/2026
(Foto: Reprodução) Justiça concede liberdade para suspeita de venda de xampu de cavalo para humanos
A prisão da médica-veterinária e influenciadora Raylane Diba Ferrari, de 29 anos, reacendeu um alerta sobre o uso de produtos veterinários em humanos. Ela foi detida na segunda-feira (4), em Campo Grande, suspeita de vender xampu de cavalo para aplicação no cabelo. Para especialistas, a prática pode trazer riscos sérios à saúde.
Segundo o médico e tricologista Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia e diretor médico do Instituto do Cabelo, o problema vai além de não funcionar: pode causar danos importantes ao couro cabeludo e até ao organismo.
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“São produtos inúteis e, muitas vezes, prejudiciais, provocando efeitos colaterais muito graves”, afirma.
Vídeo mostra veterinária injetando substância em xampu de cavalo vendido a humanos; defesa afirma que ela só revendia produto
Veterinária presa suspeita de vender xampu de cavalo fazia propaganda nas redes sociais: 'Olhe meu cabelão'
Veterinária influencer é presa suspeita de vender xampu de cavalo para uso humano em MS
Por que o “xampu de cavalo” pode ser perigoso
De acordo com o especialista, produtos veterinários são formulados para animais e têm características diferentes dos usados por humanos.
“Um produto de uso animal tem um pH ideal para aquele animal. Não é o mesmo pH do couro cabeludo humano”, explica.
Além disso, a composição costuma ter maior concentração de substâncias de limpeza.
“No xampu de cavalo, a quantidade de detergente é altíssima. Isso resseca muito o couro cabeludo”, diz.
Efeitos podem ir de coceira a infecção
O uso contínuo pode desencadear uma série de problemas. “Pode causar ressecamento intenso, coceira, descamação, inflamação e alergia”, afirma Barsanti.
Segundo ele, em casos mais graves, as consequências podem ser ainda piores. “Pode haver infecção, perda total e irreversível dos fios e até uma septicemia”, alerta.
Desespero por resultado rápido abre espaço para riscos
Veterinária influencer é presa por vender shampoo de cavalo para uso humano em MS
O especialista explica que a busca por soluções rápidas é um dos principais fatores que levam pessoas a esse tipo de produto.
“Quando a pessoa percebe queda de cabelo, entra em desespero e vai para a rede social”, diz.
Segundo o médico, nesse cenário, influenciadores ganham espaço para a venda de produtos irregulares. “Essas pessoas são boas de venda e acabam convencendo quem busca uma solução rápida, barata e milagrosa. Mas isso não existe. Medicina não é magia”, afirma.
Problema pode ter várias causas
Outro ponto destacado pelo médico é que a queda de cabelo pode estar ligada a diferentes fatores de saúde.
“Pode ser problema de tireoide, infecção, alteração hormonal ou até fatores emocionais, como ansiedade e depressão”, explica.
Por isso, ele reforça que o uso de um produto, sozinho, não resolve o problema. “Um xampu jamais vai resolver a causa da queda.”
O que fazer em caso de queda de cabelo
A orientação é procurar atendimento especializado. “O correto é buscar um médico tricologista, que vai investigar a causa com exames e avaliação clínica”, afirma.
Entenda o caso
Defesa diz que veterinária apenas divulgava, apesar de vídeo indicar manipulação de xampu de cavalo
Redes sociais
Raylane Diba Ferrari foi presa após investigação apontar a venda de produtos veterinários para uso em humanos. Segundo a polícia, ela divulgava os itens nas redes sociais, onde soma mais de 500 mil seguidores.
Em um dos vídeos, ela diz: "Vocês concordam comigo que, se eu sou veterinária, eu posso usar produtos veterinários no meu cabelo, né? Ah, não pode? Olhe aqui o tamanho desse meu cabelão. Não pode é ficar careca"
Durante a ação, um funcionário foi flagrado manipulando o produto. De acordo com a polícia, ele adicionava 7 mililitros de um suplemento veterinário ao xampu antes da venda.
No local, também foram encontradas caixas prontas para envio a clientes de diferentes regiões.
O que diz a defesa
A defesa afirma que a veterinária não produzia os produtos e que sua atuação se limitava à divulgação nas redes sociais.
O advogado disse ainda que ela não tem formação em manipulação de substâncias e não tinha conhecimento técnico sobre a composição.
Raylane pagou fiança de R$ 4,8 mil e foi solta na terça-feira (5). Ela teve o registro profissional suspenso, deve cumprir prisão domiciliar e comparecer à Justiça quando for convocada. O caso segue em investigação.
Veterinária ensinava como usar o shampoo nas redes sociais.
Redes sociais/Reprodução
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