Polícia revela que ex-prefeito saiu armado do carro antes de atirar e matar fiscal tributário em MS
25/03/2026
(Foto: Reprodução) Ex-prefeito preso por homicídio
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi flagrado por câmeras de segurança descendo de um carro com uma arma antes de atirar e matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu na terça-feira (24), em uma casa no Jardim dos Estados, imóvel que já pertenceu a Bernal e foi comprado em leilão da Caixa Econômica Federal.
Após o crime, Bernal se apresentou à polícia ainda na terça-feira (24). Ele foi ouvido e preso em flagrante por homicídio. Em seguida, foi levado ao presídio militar estadual. Nesta quarta-feira (25), passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva.
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O caso aconteceu quando Roberto Mazzini, acompanhado de um chaveiro, tentava tomar posse do imóvel arrematado em leilão. Segundo o Corpo de Bombeiros, ele foi atingido por dois tiros e morreu no local. As imagens que filmaram o ex-prefeito saindo do carro não foram divulgadas.
A defesa do ex-prefeito, representada pelo advogado Wilton Acosta, afirma que Bernal tinha porte e registro da arma — um revólver calibre .38. No entanto, o documento não foi apresentado à polícia.
Em ligação à produção da TV Morena, afiliada da TV Globo em Mato Grosso do Sul, Bernal afirmou que a vítima e o chaveiro invadiram a casa. Segundo ele, os disparos foram feitos em legítima defesa.
A versão também foi confirmada pela defesa.
“A casa foi invadida, ele foi alertado pela empresa de segurança, que cuida do imóvel, e quando foi para a sua residência, encontrou as pessoas arrombando a porta da sua casa", explicou.
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O que diz a família da vítima
Em nota, a família de Roberto Mazzini afirmou que o imóvel foi comprado junto ao banco e não pertencia mais ao ex-prefeito.
Segundo a família, a compra foi formalizada e o cartório certificou que o imóvel estava desocupado. Ainda de acordo com o comunicado, Mazzini estava desarmado, não teve chance de defesa e o caso deve ser investigado com punição dos responsáveis. Veja a nota:
"O imóvel em questão havia sido adquirido diretamente junto à Caixa Econômica Federal. Tratava-se de um bem que já não pertencia ao antigo proprietário, tendo este perdido a propriedade anteriormente (ele havia sido regularmente notificado disso). O contrato de compra e venda foi firmado e o cartório competente certificou que o imóvel se encontrava desocupado no momento da aquisição.
Temos conhecimento de imagens que demonstram que Roberto Mazzini estava entrando no imóvel, adquirido por meios legais e descrito como desocupado na documentação de aquisição, quando foi surpreendido.
Diante dessa tragédia, a família clama por justiça e confia que os fatos serão rigorosamente apurados, com a devida responsabilização dos envolvidos."
Mazzini era fiscal tributário desde 2008 e trabalhava na Secretaria Estadual de Fazenda. Ele deixa esposa e três filhos.
O Sindicato dos Fiscais Tributários de Mato Grosso do Sul (Sindifisco-MS) divulgou nota de pesar.
Segundo o sindicato, Roberto Mazzini era fiscal tributário estadual desde 2008. Ao longo da carreira, atuou como coordenador de controle da despesa da Secretaria Estadual de Fazenda, trabalhou no cadastro fiscal e no Canal Fale Conosco.
Atualmente, estava lotado na Agência Fazendária de Campo Grande.
Ex-prfeito de Campo Grande, Alcides Bernal, e a vítima morta por ele na capital, Roberto Carlos Mazzini
Arquivo g1 e Redes Sociais
Trajetória de Bernal
Alcides Bernal é jornalista, radialista e advogado. Ele também foi vereador, deputado estadual e prefeito de Campo Grande.
Bernal foi vereador por dois mandatos. Ele foi eleito pela primeira vez em 2004 e reeleito em 2008.
Em 2010, foi eleito deputado estadual. Dois anos depois, em 2012, venceu a eleição para prefeito da capital. Permaneceu no cargo até 2014, quando teve o mandato cassado. Em agosto de 2015, voltou à Prefeitura por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Bernal permaneceu no cargo até o fim do mandato, em 2016. Ele tentou a reeleição, mas não venceu.
Casa onde aconteceu crime, em Campo Grande (MS)
José Aparecido/TV Morena
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