O que se sabe e o que falta esclarecer sobre a morte de menino de 9 anos após sete atendimentos em MS
08/04/2026
(Foto: Reprodução) Menino de 9 anos morre após buscar atendimento médico pela 7ª vez
A morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, em Campo Grande, está sendo investigada após a família denunciar possível negligência médica. Segundo o relato, o menino procurou atendimento sete vezes em unidades de saúde, depois de bater o joelho no dia 2 de abril.
Ele morreu na madrugada de terça-feira (7), após ser transferido para a Santa Casa da capital, ser intubado e sofrer uma parada cardíaca, de acordo com a família. João Guilherme foi velado na manhã de quarta-feira (8) e enterrado no Cemitério Jardim da Paz no início da tarde.
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A Polícia Civil e a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) apuram as circunstâncias da morte e a conduta dos profissionais que atenderam a criança.
O caso foi registrado como homicídio culposo e a investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), que analisa se houve falha no atendimento.
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Veja abaixo o que já se sabe e o que ainda precisa ser esclarecido.
Como começou o problema de saúde de João Guilherme ?
Quantas vezes a criança buscou socorro médico antes de falecer?
Quais sintomas o menino apresentou durante as sucessivas idas ao médico?
Por que a família suspeita de negligência médica?
Qual é a causa oficial da morte de João Guilherme?
Como as autoridades estão conduzindo as investigações?
O que diz a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) sobre o caso?
Menino de 9 anos morre após sucessivas idas à UPA.
Arquivo pessoal/Reprodução
Como começou o problema de saúde do menino?
Conforme o cunhado de João Guilherme, Michael Petrovich de Souza, o menino machucou o joelho ao cair em uma pedra enquanto brincava em casa, na quinta-feira (2). Ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tiradentes, onde fez um raio-X, que não apontou fratura na perna esquerda.
Depois disso, recebeu prescrição de dipirona e ibuprofeno e foi liberado para se recuperar em casa. Segundo a família, foi informado que ele teria apenas “trincado o joelho”.
“Como uma criança saudável, sem nenhuma doença, trinca o joelho e morre? Isso não entra na nossa cabeça”, desabafou a tia Adriana Soares.
Quantas vezes a criança buscou socorro médico antes de falecer?
Em seis dias, João Guilherme passou por sete atendimentos médicos, segundo a família. Ele foi levado à UPA Tiradentes, à UPA Universitário e à Santa Casa de Campo Grande.
Na maior parte das vezes, recebeu medicação e foi liberado, mesmo com a piora das dores.
Quais sintomas o menino apresentou durante as sucessivas idas ao médico?
Além da dor no joelho, o menino também passou a reclamar de dores no peito, que em um dos atendimentos foram associadas à ansiedade. Na véspera da morte, ele apresentou manchas roxas pelo corpo, palidez, falta de ar e episódios de desmaio.
Na noite de segunda-feira (6), João foi levado desacordada à UPA Universitário, onde foi reanimado e entubado. A morte foi declarada na madrugada de terça-feira (7), quando sofreu uma parada cardíaca na Santa Casa.
Por que a família suspeita de negligência médica?
A família afirma que exames mais detalhados não foram feitos no início e que houve demora para atender o menino quando o estado de saúde piorou.
Eles também citam um laudo preliminar da Santa Casa, que aponta que uma intubação feita anteriormente em uma UPA pode ter sido realizada de forma incorreta.
O presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, Valdemar Moraes, afirmou que há indícios de falhas no atendimento e defendeu que o caso seja investigado. "A demora no atendimento de fazer uma tomografia, um raio x e isso é um erro médico".
Qual é a causa oficial da morte de João Guilherme?
A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente e depende do resultado do exame necroscópico solicitado pela Polícia Civil. Durante os atendimentos, profissionais chegaram a levantar a suspeita de um coágulo.
Como as autoridades estão conduzindo as investigações?
A DEPCA analisa os prontuários médicos para verificar se houve falha ou omissão nos atendimentos prestados ao menino.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) e o Conselho Municipal de Saúde também acompanham o caso para apurar possíveis responsabilidades dos profissionais e das unidades de saúde.
O que diz a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) sobre o caso?
Em nota, a Sesau informou que o caso está sendo apurado com base nos registros médicos das unidades. A secretaria afirmou ainda que, se forem identificadas falhas ou desvios de conduta, as medidas cabíveis serão tomadas.
João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, foi enterrado nesta quarta-feira (8).
Diogo Nolasco/ TV Morena
O que ainda falta esclarecer?
Qual foi a causa da morte, que será confirmada pelo exame necroscópico;
Se houve negligência de atendimento nas UPAs ou erro médico;
Como anda a investigação do caso;
Se a morte ocorreu por causa do machucado no joelho ou por causa de algum outro problema de saúde que não havia sido descoberto;
Por que o menino teve demora no atendimento.
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