Menino de 9 anos morreu após 7 atendimentos e chegou à Santa Casa com tubo mal fixado, revela documento

  • 09/04/2026
(Foto: Reprodução)
Menino de 9 anos morre após buscar atendimento médico pela 7ª vez O g1 teve acesso ao documento que autorizou o encaminhamento do corpo de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol). O registro aponta que o menino chegou à Santa Casa com um tubo de respiração mal fixado. Antes de morrer, João Guilherme passou inúmeras vezes por Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Campo Grande em busca de atendimento médico. Ele foi a primeira vez ao médico em 2 de abril e morreu nessa terça-feira (7). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O documento obtido pelo g1 é uma guia oficial que autoriza o envio do corpo para exames periciais. Emitido pela Santa Casa, o registro reúne informações como identificação da vítima, local e circunstâncias da morte. A partir do registro, são realizados procedimentos como a necropsia, que ajuda na definição da causa da morte e eventuais investigações. Conforme consta no documento, João Guilherme foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e chegou na Santa Casa com o tubo de respiração mal fixado, indicando que o procedimento foi feito ainda na UPA. A secretaria municipal de Saúde (Sesau), que responde pelas UPAs, foi questionada sobre os atendimentos a João Guilherme. Em nota, a pasta informou que "o caso está sendo investigado, esclarece ainda que as informações estão sendo devidamente apuradas, com base em levantamentos de prontuários e registros médicos. Ressalta também que todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas e, caso sejam identificados eventuais desvios de conduta, as medidas cabíveis serão adotadas". LEIA TAMBÉM Menino de 9 anos morre após idas e vindas à UPA após ferir joelho em brincadeira Menino de 9 anos morre após buscar atendimento médico pela 7ª vez 'Trincou o joelho e morreu': família denuncia negligência após morte de menino de 9 anos Polícia investiga possível negligência em morte de menino de 9 anos após sete atendimentos Menino chegou na Santa Casa em estado grave Menino de 9 anos morre após sucessivas idas à UPA. Arquivo pessoal/Reprodução O documento explica que o menino foi levado pelo Samu já em estado grave, após apresentar piora no quadro de saúde. Dias antes, ele havia sofrido um trauma na perna, foi atendido, diagnosticado com fratura e teve o membro imobilizado. Na noite de 6 de abril, o menino deu entrada na UPA Universitário com sinais preocupantes, como baixa oxigenação, alteração do nível de consciência e extremidades arroxeadas. O quadro evoluiu rapidamente, e ele precisou ser entubado. Ainda segundo o documento, havia grande quantidade de sangue nas vias aéreas durante o atendimento. Quando a equipe do Samu chegou para fazer a transferência, o paciente já estava em parada cardiorrespiratória. Nesse momento, foi constatado que o tubo de respiração estava mal fixado. Os socorristas iniciaram manobras de reanimação e conseguiram fazer o coração voltar a bater. O menino foi encaminhado à Santa Casa, onde chegou por volta de 0h10, já entubado e com uso de medicação. No hospital, o quadro continuou extremamente grave. A equipe realizou novos procedimentos, incluindo a preparação para troca do tubo, mas o paciente sofreu mais paradas cardíacas e passou por oito ciclos de reanimação. Apesar dos esforços, o menino apresentava sangramento ativo pelas vias aéreas e não reagia aos estímulos. A morte foi confirmada à 1h05. O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau). A apuração está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), que analisa se houve falha no atendimento. O g1 tentou contato com o Samu e o Conselho Regional de Medicina, mas não obteve retorno até o momento. Família denuncia negligência João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, foi enterrado nesta quarta-feira (8). Diogo Nolasco/ TV Morena Em seis dias, João Guilherme passou por sete atendimentos médicos, segundo a família. Ele foi levado à UPA Tiradentes, à UPA Universitário e à Santa Casa de Campo Grande. Na maior parte das vezes, recebeu medicação e foi liberado, mesmo com a piora das dores. Além da dor no joelho, o menino também passou a reclamar de dores no peito, que em um dos atendimentos foram associadas à ansiedade. Na véspera da morte, ele apresentou manchas roxas pelo corpo, palidez, falta de ar e episódios de desmaio. A família afirma que exames mais detalhados não foram feitos no início e que houve demora para atender o menino quando o estado de saúde piorou. O presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, Valdemar Moraes, afirmou que há indícios de falhas no atendimento e defendeu que o caso seja investigado. "A demora no atendimento de fazer uma tomografia, um raio-x e isso é um erro médico". A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente e depende do resultado do exame necroscópico solicitado pela Polícia Civil. Durante os atendimentos, profissionais chegaram a levantar a suspeita de um coágulo. O que dizem as autoridades? A DEPCA analisa os prontuários médicos para verificar se houve falha ou omissão nos atendimentos prestados ao menino. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) e o Conselho Municipal de Saúde também acompanham o caso para apurar possíveis responsabilidades dos profissionais e das unidades de saúde. Em nota, a Sesau informou que o caso está sendo apurado com base nos registros médicos das unidades. A secretaria afirmou ainda que, se forem identificadas falhas ou desvios de conduta, as medidas cabíveis serão tomadas. A morte foi registrada como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/04/09/caso-joao-guilherme-documento-revela-tubo-mal-fixado-em-menino-que-morreu-apos-7-idas-ao-medico.ghtml


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