Mãe de Eliza Samúdio reage à prisão de Bruno Fernandes e faz apelo: 'Não desistam da Justiça'
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Goleiro Bruno Fernandes é preso em São Pedro da Aldeia após 2 meses foragido
A mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, falou pela primeira vez sobre a nova prisão do goleiro Bruno Fernandes e afirmou ter recebido a notícia com indignação. Em entrevista ao g1 nesta sexta-feira (8), ela disse que a situação poderia ter sido evitada caso o ex-jogador tivesse cumprido as determinações da Justiça. Veja o vídeo acima.
“Eu lamento porque ele não precisava estar passando por isso. Se tivesse cumprido todas as medidas, não precisaria viver esse momento. Eu deixo um recado as outras pessoas: não desistam da Justiça. Pode demorar, mas a Justiça existe”, declarou.
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Bruno foi preso na noite de quinta-feira (7), em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, após ser considerado foragido da Justiça por cerca de dois meses. O ex-goleiro descumpriu regras da liberdade condicional, segundo a Vara de Execuções Penais.
Mãe de Eliza Samúdio agradeceu policiais
Mãe de Eliza Samúdio comentou prisão do goleiro Bruno.
Redes sociais/Reprodução
Durante a entrevista, dona Sônia também agradeceu aos policiais envolvidos na operação que levou à prisão de Bruno. “Agora é que a Justiça faça a sua parte. Eu continuo acreditando no Judiciário”, afirmou.
Mesmo após quase 16 anos do desaparecimento e assassinato de Eliza Samudio, dona Sônia afirmou que ainda sonha em encontrar o corpo da filha para poder enterrá-la, mas que não acredita que a nova prisão de Bruno possa trazer alguma revelação sobre o paradeiro de Eliza.
"A nova prisão não vai trazer o corpo da minha filha. O melhor seria se eu tivesse o corpo da minha filha", comentou Sônia.
Sônia também falou sobre a dor de conviver tantos anos sem respostas. Ela afirmou acreditar que a filha tenha sido 'descartada'. “Minha filha foi descartada igual lixo”, declarou.
Sônia pediu para que famílias não desistam da Justiça
A mãe de Eliza ainda deixou uma mensagem para famílias que também buscam justiça por parentes vítimas de violência.
“Que as pessoas não desistam. Que continuem cobrando, buscando provas e ajudando a Justiça a construir processos fortes”, afirmou.
Ela também chamou atenção para o aumento dos casos de feminicídio, violência doméstica e abuso sexual contra crianças no país. O Brasil registou um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos no 1º trimestre deste ano.
“Os números estão estrondosos. As pessoas não podem desacreditar da Justiça”, disse.
A fala de Sônia vai ao encontro do histórico de vaivém que o caso teve na Justiça. Bruno foi preso em 2010 pelo assassinato da ex-namorada Eliza Samudio. O crime teve repercussão internacional. O goleiro foi condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza.
A Justiça concluiu que ela foi assassinada após cobrar o reconhecimento de paternidade do filho que teve com o jogador, Bruninho Samudio – hoje goleiro das categorias de base do Botafogo. Bruno ficou preso em regime fechado de 2010 até 2019, quando progrediu para o semiaberto. Em 2023, foi concedida a liberdade condicional.
Mãe de Eliza Samudio incentiva vítimas e famílias a seguirem na luta por Justiça
Arquivo pessoal
Prisão de Bruno Fernandes
Um mandado de prisão havia sido expedido em 5 de março, após a Vara de Execuções Penais entender que o ex-jogador do Flamengo descumpriu regras da liberdade condicional.
No dia 15 de fevereiro, Bruno viajou para o Acre sem autorização judicial, para jogar pelo Vasco-AC, e não retornou ao regime semiaberto quando determinado pela Justiça.
🔎 Entenda: no regime semiaberto, o condenado ainda cumpre pena sob custódia do Estado, com possibilidade de sair para trabalhar ou estudar. Já a liberdade condicional permite que a pena seja cumprida em liberdade, desde que o beneficiado siga regras impostas pela Justiça.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) argumentou ainda que Bruno deixou de atualizar o endereço por 3 anos, não respeitou horários de recolhimento, frequentou locais proibidos, como um jogo no Maracanã em fevereiro, e fez outras viagens sem autorização judicial, incluindo a presença em um estádio em Minas Gerais.
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