Família doa órgãos de enfermeira morta a marteladas por bombeiro em MS
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Filhos saíram correndo de casa para pedir ajuda
A família da enfermeira Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 51 anos, decidiu doar os órgãos dela após a confirmação de morte cerebral no fim da manhã desta sexta-feira (6). Ela estava internada no Hospital da Vida, em Dourados (MS), após ser atacada pelo marido.
Liliane foi internada depois de ser agredida com golpes de martelo pelo marido, o subtenente do Corpo de Bombeiros Militar Elianderson Duarte. O ataque ocorreu na casa da família, em Ponta Porã (MS), na terça-feira (3).
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Segundo a polícia, dois dos três filhos do casal, de 17 e 15 anos, também ficaram feridos durante o ataque. O filho mais novo, de 11 anos, presenciou o início da agressão, mas não foi atingido.
Antes das agressões, Liliane chegou a gritar para que os filhos fugissem da casa.
Liliane é a 5ª vítima de feminicídio de Mato Grosso do Sul, em 2026.
Mulher morreu em hospital de Dourados.
Redes sociais/Reprodução
Como ocorreu o ataque
De acordo com a Polícia Civil, após o pedido da mãe para que fugissem, os filhos correram para a rua e pediram ajuda a moradores da região.
Testemunhas entraram na casa e viram o militar agredindo a esposa com um martelo.
O subtenente tentou fugir pulando muros de casas vizinhas. Ele foi contido por moradores e preso em flagrante. Durante a tentativa de fuga, quebrou o tornozelo.
O suspeito foi levado ao Hospital Regional de Ponta Porã.
Na quinta-feira (5), ele voltou a ser hospitalizado por causa dos ferimentos, e a audiência de custódia foi cancelada.
Subtenente dos bombeiros está sob custódia no hospital.
Redes sociais/Reprodução
Depoimento da filha
A filha mais velha do casal, de 17 anos, contou à polícia que, no dia do crime, o pai chegou do plantão, fechou portas e janelas da casa, recolheu os celulares dos filhos e aguardou a chegada da esposa.
“Quando a mãe chegou, ele disse imediatamente ‘vamos pro quarto’. A mãe negou porque percebeu que tinha alguma coisa errada”, disse o delegado Rodrigo Inojosa.
A adolescente relatou ainda que, ao perceber que o pai estava com uma marreta, a mãe gritou: “Abre a porta e foge”.
Segundo o depoimento, as agressões começaram antes que os filhos conseguissem sair da casa. Dois deles foram atingidos, incluindo a adolescente, que levou dois golpes na cabeça.
Testemunhas relataram à polícia que os adolescentes estavam com sangue no rosto quando pediram ajuda na rua.
“As testemunhas ficaram sem entender o que tinha acontecido porque as crianças estavam com muito sangue no rosto. E, quando eles viram, ele já estava ao lado dela, com a marreta em mãos, e a vítima caída ao chão”, relatou o delegado.
Morte e autuação
Após o ataque, Liliane foi levada a um hospital em Ponta Porã. Devido à gravidade dos ferimentos, ela foi transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, onde teve a morte confirmada.
A Polícia Civil informou que o subtenente foi autuado inicialmente por tentativa de feminicídio. Com a morte da vítima, o crime passa a ser investigado como feminicídio consumado.
Imagens mostram filhos pedindo ajuda
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os filhos do casal correm para a rua para pedir ajuda durante o ataque.
Nas imagens, os adolescentes aparecem saindo da casa e pedindo socorro a moradores da região. Em seguida, vizinhos entram no imóvel para tentar ajudar.
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Nota do Corpo de Bombeiros
Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) informou que acompanha o caso e que adotou medidas administrativas.
“Em relação aos fatos recentemente noticiados sobre a ocorrência de violência doméstica envolvendo um bombeiro militar lotado no município de Ponta Porã, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) lamenta o ocorrido e vem a público manifestar seu mais profundo repúdio a qualquer forma de violência contra as mulheres.
O CBMMS permanece colaborando integralmente com as autoridades policiais e com o Poder Judiciário para a plena elucidação do caso. O servidor envolvido se encontra detido e responderá por seus atos com todo o rigor da lei. A Corporação já adotou as providências administrativas cabíveis, nos termos da legislação vigente, para a devida apuração e responsabilização.”
Arma usada no crime foi apreendida pela polícia
PCMS/Divulgação
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