'Escravização virtual': polícia revela esquema usado para induzir menina de 13 anos ao suicídio em MS

  • 06/08/2026
(Foto: Reprodução)
Como evitar que adolescente vire vítima nas redes? Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou que a adolescente de 13 anos induzida ao suicídio em Naviraí, foi vítima de um processo de escravização virtual promovido por uma organização criminosa que atua pela internet. Veja o vídeo acima. A conclusão foi apresentada nesta quinta-feira (6), durante coletiva de imprensa da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Campo Grande. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Segundo a delegada titular da DPCA, Karine Sanches, a investigação descartou a hipótese de suicídio e passou a tratar o caso como homicídio. A mudança de entendimento ocorreu após a análise dos materiais apreendidos durante a operação que resultou na apreensão de seis investigados, cinco adolescentes e um adulto. O que é a escravização virtual? Equipamentos utilizados para crimes foram apreendidos Reprodução/PCMS Conforme a delegada, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para identificar e manipular crianças e adolescentes, principalmente meninas. O primeiro passo é localizar vítimas com perfis públicos nas redes sociais. A partir das informações disponíveis, como escola, familiares, amigos e interesses pessoais, integrantes da organização criam perfis falsos e passam a se apresentar como pessoas da mesma idade e com gostos semelhantes aos da vítima. Após conquistar a confiança da adolescente, ela é levada para plataformas menos conhecidas, onde há pouca ou nenhuma moderação de conteúdo. É nesses ambientes que começam as ameaças, a manipulação psicológica e o controle exercido pelos criminosos. Segundo Sanches, dentro da organização existe uma divisão de funções. Há integrantes responsáveis por localizar vítimas, por fazer a aproximação e aqueles que assumem o controle da adolescente após conquistar sua confiança. As investigações apontam que os administradores desses grupos passam a tratar a vítima como uma propriedade, utilizando ameaças e violência psicológica para obrigá-la a cumprir ordens, como a automutilação, maus tratos aos animais e suicídio. Violência como forma de prestígio Ainda segundo a polícia, a organização criminosa é formada por diferentes grupos que competem entre si. Conforme a delegada, quanto maior o nível de violência imposto às vítimas, maior o prestígio conquistado dentro da comunidade virtual. “Eles têm várias lideranças, eles concorrem entre si, são panelas que concorrem entre si. O que é o hype deles, porque é assim que eles falam, é ter mais violência”. LEIA TAMBÉM ‘Espetáculo de horrores’: grupo que induziu menina ao suicídio planejava outros atentados Suspeitos de induzir suicídio de menina foram apreendidos com itens neonazistas e conteúdos de abuso infantil Grupo suspeito de induzir menina ao suicídio fez mais vítimas e forçava outras violências Plataformas sem moderação A investigação também revelou que os criminosos migram constantemente entre plataformas digitais para evitar bloqueios. Segundo a DPCA, quando uma transmissão ou grupo é removido de uma plataforma, os integrantes rapidamente migram para outra com menor fiscalização e restabelecem a comunicação entre os participantes. Para a delegada, muitas dessas plataformas ainda não adotaram mecanismos eficazes de moderação previstos na legislação de proteção de crianças e adolescentes, o que facilita a atuação das organizações criminosas. Os adolescentes apreendidos viviam com as famílias e, segundo a polícia, não apresentavam comportamento que despertasse suspeitas. Durante a coletiva, Sanches relatou que os pais ficaram desesperados ao descobrirem a participação dos filhos na organização criminosa. “Foi frustrante ver o desespero da família, que não acreditavam no que estava acontecendo, porque aparentemente era um adolescente tranquilo, mas em conversa comigo, ele é um adolescente extremamente frio, ele estava muito satisfeito de me explicar como era cada detalhe, cada detalhe do crime”. Alerta aos pais A delegada fez um alerta para que pais e responsáveis acompanhem de forma mais próxima à vida digital de crianças e adolescentes. Segundo ela, o uso de ferramentas de controle parental pode dificultar a atuação desses grupos criminosos. Também orientou que os responsáveis acompanhem os aplicativos utilizados pelos filhos e verifiquem os conteúdos consumidos na internet. Sanches destacou que os criminosos ensinam as vítimas a ocultar conversas, arquivos e pastas no celular, o que dificulta a identificação do problema por quem faz apenas uma verificação superficial. Ela reforçou que acompanhar a atividade digital dos filhos não representa invasão de privacidade, mas uma medida de proteção. Por fim, a delegada alertou que o ambiente virtual pode representar um risco tão grande quanto o mundo físico. "Às vezes, os pais acreditam que o filho está seguro porque permanece dentro de casa. Mas, hoje, o perigo também pode estar atrás da tela de um celular", afirmou. O caso A investigação iniciou em 22 de julho, após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí. A jovem foi coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord que durou cerca de 45 minutos. A apuração revelou que os envolvidos utilizavam simultaneamente o Discord e o Telegram para atrair vítimas, disseminar discursos de ódio, promover radicalização violenta e cometer atos de misoginia. Ao todo, cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e um homem de 18 anos foram alvos de mandados judiciais nesta terça-feira (4), cumpridos no Ceará, em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro. O suspeito de liderar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido na capital fluminense. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/08/06/caso-de-menina-induzida-ao-suicidio-em-ms-revela-esquema-de-escravizacao-virtual.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes