Eduardo Razuk: Justiça mantém prisão de influencer que rifava carros de luxo; defesa nega ilegalidade nos sorteios
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Defesa de Eduardo Razuk diz que rifas não eram ilegais
A Justiça manteve na manhã desta quinta-feira (20) a prisão do influenciador Eduardo Razuk, detido na última terça-feira (18), em Campo Grande, durante a Operação Rodas da Sorte, que investiga um esquema que teria movimentado mais de R$ 100 milhões em seis meses com rifas de carros de luxo. O irmão de Eduardo, Rafael Razuk, e outras duas pessoas também foram presas por suspeita de envolvimento no esquema.
Ao g1, o advogado de Eduardo Razuk, Tiago Bunning, afirmou que a manutenção da prisão ocorreu porque o juiz responsável pela audiência de custódia considerou não ter competência para analisar pedidos de liberdade.
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"A decisão do juiz na audiência de custódia é por manter a prisão, porque ele se diz incompetente para apreciar qualquer pedido de liberdade, deixa que a juíza do núcleo de garantia, que foi quem decretou a prisão, aprecie algum pedido", disse o advogado. Segundo ele, a defesa também estuda impetrar habeas corpus diretamente no Tribunal de Justiça.
A defesa de Rafael Razuk também anunciou que recorrerá da decisão. O advogado João Paulo Calves afirmou que a prisão é ilegal e a audiência de custódia não analisou o mérito dos argumentos apresentados pela defesa.
"Ele entendeu que não seria o competente para analisar os argumentos que nós lançamos e agora a defesa vai encaminhar um habeas corpus para sustentar a ilegalidade dessas prisões", declarou. Segundo Calves, embora o juiz pudesse avaliar os requisitos da prisão preventiva, optou por deixar a análise para a juíza das garantias que expediu os mandados.
A investigação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) aponta que o grupo realizava sorteios sem autorização nas redes sociais e utilizava empresas para dar aparência de legalidade aos valores arrecadados, lavando o montante milionário obtido com as rifas.
A polícia apreendeu 22 veículos de luxo. Somados os valores de mercado, os carros estão avaliados em cerca de R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo também foram apreendidos. A operação também cumpriu mandados no Rio de Janeiro e na Paraíba.
Segundo a polícia, os presos são suspeitos dos crimes de prática de rifas ilegais, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Defesa nega irregularidades
Eduardo Razuk foi preso em Campo Grande.
Redes sociais/Reprodução
Após ter acesso ao inquérito no fim da quarta-feira (19), Tiago Bunning contestou os principais pontos da investigação. De acordo com ele, os sorteios divulgados por Eduardo Razuk possuíam autorização e eram vinculados a uma loteria oficial.
"A gente pôde verificar que o delegado considera que não haveria autorização para os sorteios, mas é importante dizer que todos os sorteios são autorizados por uma loteria oficial, estão registrados esses sorteios, foram auditados", afirmou.
O advogado também sustentou que toda a renda obtida por Eduardo Razuk e pelas empresas ligadas a ele foi declarada à Receita Federal. "Toda a renda referida por ele é declarada no imposto de renda. Os tributos são pagos, todos os bens que ele adquiriu, inclusive os veículos que foram apreendidos, estão todos registrados no nome dele, com documento e nota fiscal", disse.
Ainda segundo Bunning, não há elementos que sustentem a acusação de lavagem de dinheiro. "Não há nenhum crime antecedente e também não há lavagem de dinheiro, porque os bens são todos registrados no nome dele, com tributos pagos e com toda a documentação. Eu tenho certeza que isso vai ser comprovado."
A defesa argumenta que os sorteios estavam vinculados a uma loteria oficial da Paraíba e o ponto central da investigação seria uma divergência sobre a interpretação jurídica do papel desempenhado pelo influenciador na realização dos sorteios.
"A loteria é uma loteria oficial do Estado da Paraíba, há uma lei que regulamenta isso e autoriza todo o sorteio da forma que ele é feito. O Eduardo é quem divulga o sorteio. Essa é uma questão jurídica, um debate de interpretação", afirmou o advogado.
Bunning ressaltou ainda que Eduardo e Rafael Razuk não possuem antecedentes criminais e nunca teriam sido chamados para prestar esclarecimentos antes da operação. "Tanto Eduardo quanto o Rafael são primários, têm bons antecedentes. Eles nunca foram chamados para prestar esclarecimento sobre o sorteio, para apresentar alguma documentação. Não tiveram chance de se defender, foram direto presos", declarou.
O advogado acrescentou que, embora a investigação mencione a realização de sorteios desde 2019, todos os sorteios realizados a partir de dezembro de 2025 estariam devidamente registrados. "Todos esses sorteios que foram feitos desde dezembro de 2025 são registrados, têm número de registro e toda a documentação junto a uma loteria oficial", afirmou.
Já a defesa de Rafael Razuk sustenta que não estão presentes os requisitos necessários para a manutenção das prisões preventivas.
"Primeiro porque a gente entende que não tem os requisitos da prisão, especialmente a periculosidade deles, que não coloca em risco a sociedade, e especialmente em razão da ausência dos elementos centrais da existência de crime", argumentou o advogado João Paulo Calves.
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Redes sociais
Segundo o delegado Pedro Henrique Pilar Cunha, os investigados realizavam rifas sem autorização desde 2019. As cotas eram vendidas pelas redes sociais e, em determinado período, cada sorteio movimentava cerca de R$ 2 milhões.
De acordo com Cunha, entre 2019 e 2025, a atuação do grupo estava concentrada em Campo Grande. Nesse período, os investigados teriam realizado vários sorteios sem autorização e movimentado o dinheiro obtido com a prática.
A partir de 2025, o grupo teria mudado de estratégia. Segundo a polícia, após operações contra influenciadores envolvidos com rifas sem autorização em diferentes estados, os investigados passaram a buscar formas de dificultar a identificação da origem do dinheiro e dar aparência de legalidade aos sorteios.
Foi nesse contexto que, segundo a polícia, os irmãos teriam se associado a uma empresa do Rio de Janeiro e a outra da Paraíba.
Segundo o delegado, a empresa do Rio de Janeiro fazia a intermediação entre influenciadores digitais e a empresa da Paraíba. Conforme a investigação, a estrutura seria usada para criar uma suposta autorização para os sorteios.
Segundo Cunha, a entidade envolvida não teria autorização para permitir esse tipo de sorteio.
“Eles propiciavam um ar de legalidade às rifas ilegais e, ao mesmo tempo, promoviam uma sofisticação da lavagem de dinheiro obtida com essas rifas”, afirmou.
Apreensão e investigação
Influencer Eduardo Razuk exibia coleção de carros esportivos nas redes sociais
Redes sociais/Reprodução
Com o avanço da investigação, a Polícia Civil pediu medidas cautelares contra os envolvidos. Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens que podem estar relacionados ao esquema.
Os 22 veículos de alto padrão apreendidos em Campo Grande foram alvo de sequestro judicial. Também foram determinadas medidas sobre imóveis e contas bancárias. Segundo a polícia, os bens poderão ser perdidos caso os investigados sejam condenados.
As buscas também tiveram como objetivo apreender celulares, computadores e outros dispositivos que possam ajudar a esclarecer como o grupo funcionava. O material será analisado pela polícia. A investigação também deve verificar se há outros envolvidos e identificar possíveis novos crimes relacionados ao esquema.
O delegado explicou que, em princípio, quem comprou as rifas ou recebeu algum prêmio não será responsabilizado criminalmente apenas por participar dos sorteios. A situação pode ser diferente se houver comprovação de envolvimento dessas pessoas com as práticas criminosas.
Segundo Cunha, a falta de autorização também impede a fiscalização dos sorteios. Com isso, não é possível verificar, por exemplo, se houve fraude ou se dinheiro de outros crimes foi misturado aos valores movimentados pelas rifas.
A investigação continua com a análise do material apreendido. As contas usadas pelos investigados nas redes sociais também podem ser bloqueadas se ficar comprovado que foram utilizadas para a prática dos crimes.
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