Disputa por terra: indígenas ocupam fazenda e operação da PM termina com cinco presos em MS
26/04/2026
(Foto: Reprodução) Indígenas retomam área e são retirados pela PM em MS
Cinco indígenas foram presos pela Polícia Militar na madrugada deste domingo (26) em Amambai, em Mato Grosso do Sul. O grupo ocupou a Fazenda Limoeiro, sobreposta à Terra Indígena Iguatemipeguá II, na noite de sábado (25), e expulsou a família de produtores rurais que residia no local. Veja o vídeo acima.
A Polícia Militar foi acionada na madrugada deste domingo após denúncias de invasão e danos ao patrimônio na fazenda, que fica próxima à Aldeia Limão Verde. Além do Batalhão de Choque, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) participou da ação. Não há confirmação de feridos, mas lideranças indigenistas relatam episódios de violência durante a desocupação.
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O episódio em Amambai reflete uma tensão fundiária histórica, marcada por divergências sobre a ocupação do solo e o status jurídico das áreas envolvidas. Dois pontos de contextualização precisam ser compreendidos:
⚠️O caso ocorre em meio a disputas por terra na região. A Polícia Militar trata a ação como invasão de propriedade. Já o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirma que se trata de retomada de território ancestral.
🔎 Para compreender parte do conflito, é preciso conhecer o processo de demarcação de Terras Indígenas (TIs). A TI Iguatemipeguá II está em fase de estudos para demarcação. O processo administrativo tramita desde 2008 e envolve levantamentos antropológicos, históricos e ambientais feitos pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O g1 questionou os proprietários da Fazenda Limoeiro sobre a ocupação deste fim de semana, mas não obteve nenhum retorno até a última atualização desta reportagem. O Ministério dos Povos Indígenas informou em nota que acompanha a situação. Leia o retorno na íntegra mais abaixo.
Cimi diz que indígenas foram encurralados por jagunços
Segundo o Cimi, indígenas foram atacados por homens armados antes da chegada da polícia. A organização afirma que, durante a saída, o grupo foi “empurrado pelas forças policiais de volta à aldeia Limão Verde” e que o local foi alvo de tiros e bombas.
Cinco indígenas foram presos e permanecem na delegacia de Amambai, segundo o Cimi. Conforme a organização, foram presos:
Josilaine Gonçalves
Valdenir Gonçalves
Aracilda Nunes
Daiane Orti
Grezi Vilhalva
O Cimi afirma que o clima na região é de tensão, com presença de homens armados e equipes policiais em acessos à reserva. A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) foi acionada.
PM foi acionada para atender ocorrência de invasão
A Polícia Militar informou que a ação foi realizada para conter a ocorrência. Segundo a corporação, houve danos à casa na fazenda e tentativa de destruir veículos e máquinas.
De acordo com a polícia, o grupo entrou na propriedade por volta das 23h20 de sábado e a família foi expulsa do local durante a madrugada. A corporação informou ainda que encontrou objetos separados para possível retirada, como eletrônicos e joias.
As guarnições da Polícia Militar foram mobilizadas para prestar apoio às vítimas e conter novos incidentes, realizando a detenção de três indivíduos envolvidos nessa ação delituosa.
O policiamento permanece na região para evitar novos conflitos e garantir a preservação do local para os trabalhos periciais. A ocorrência será encaminhada à Delegacia de Polícia Civil para a identificação dos responsáveis e apuração das responsabilidades criminais pelos danos e pela invasão.
Ministério dos Povos Indígenas acompanha situação
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas informou que acompanha o caso e detalhou as ações adotadas. Leia a nota na íntegra abaixo:
"O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) acompanha a situação por meio do seu Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiárias Indígenas (DEMED), dentro de suas competências institucionais de garantia e promoção dos direitos indígenas. Representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Força Nacional de Segurança Pública se deslocaram ao local para a mediação do conflito e esclarecimentos acerca do ocorrido. A pasta aguarda mais informações para o acionamento dos órgãos responsáveis e qualificação de eventuais violências e violações de direitos por parte das forças policiais do Estado em relação aos indígenas".
Policiais em área da fazenda Limoeiro, em Amambai.
Cimi/Reprodução
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