Carta da família de Eliza Samúdio aponta falhas da Justiça e denuncia privilégios de Bruno

  • 18/03/2026
(Foto: Reprodução)
Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão pelo homicídio da modelo Eliza Samudio Arquivo/g1 A carta aberta, assinada pela mãe de Eliza Samúdio, Sônia Fátima Moura, e a madrinha de Bruninho Samúdio, Maria do Carmo dos Santos, enviada ao g1 nesta terça-feira (17), detalha críticas ao sistema judiciário e questiona o cumprimento da pena de Bruno Fernandes. O documento destaca que, mesmo sob decisão judicial e regras do regime semiaberto, o condenado teria circulado livremente pelo país, incluindo viagens a outros estados, presença em eventos públicos e participação em partidas de futebol, o que, segundo as autoras, não condiz com sua condição de apenado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A carta também enfatiza a demora da Vara de Execução Penal em tomar providências. Segundo o texto, foram necessários anos para que medidas fossem adotadas diante do descumprimento de obrigações legais, como a assinatura do termo de livramento condicional. Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) disse ao g1 que informou que o ex-goleiro Bruno está foragido por descumprimento das medidas impostas pela Vara de Execução Penal para a manutenção do livramento condicional. Com o descumprimento, a Vara de Execuções Penais decretou a revogação do livramento condicional e expediu mandado de prisão. "O goleiro Bruno não se apresentou diante da revogação. A defesa do goleiro entrou com recurso e a VEP encaminhou para manifestação do MP. Enquanto, não houver outra decisão em relação à revogação do livramento condicional , o goleiro Bruno será considerado foragido", diz a nota. "Deboche à Justiça" Veja os vídeos que estão em alta no g1 Outro ponto mencionado é o que as autoras chamam de “deboche à Justiça”. Elas criticam a exposição pública de Bruno Fernandes enquanto a família de Eliza enfrenta o luto sem respostas. O corpo de Eliza Samúdio nunca foi localizado, o que, segundo a carta, aumenta a sensação de impunidade. O texto também aborda a situação do filho de Eliza, Bruninho. As autoras afirmam que Bruno Fernandes se recusou inicialmente a reconhecer a paternidade e que o pagamento de pensão foi irregular, apontando a falta de ação efetiva do Estado. A carta questiona ainda a eficácia da Justiça em casos de violência contra a mulher, perguntando “quantas vítimas ainda serão necessárias para que haja rigor no cumprimento das penas”. Por fim, o documento lista os seguintes pedidos: investigação das viagens feitas sem autorização atuação mais rigorosa do Ministério Público cumprimento integral da pena responsabilização por descumprimento das regras As autoras reforçam que não buscam vingança, mas o cumprimento da lei e respeito às vítimas, e afirmam que seguirão denunciando o caso e cobrando providências. LEIA MAIS: Disque Denúncia emite cartaz de foragido do goleiro Bruno e pede informações Goleiro Bruno é considerado foragido pela Justiça do Rio Goleiro Bruno estreia no Vasco-AC, time que tem no elenco quatro jogadores presos por estupro Bruno é considerado foragido O Disque Denúncia divulgou um comunicado pedindo informações sobre o paradeiro de Bruno. Segundo o Tribunal de Justiça, um mandado de prisão foi expedido no dia 5 de março, depois que a Vara de Execuções Penais concluiu que ele descumpriu condições da liberdade condicional. Ainda de acordo com a Justiça, o ex-goleiro não se apresentou para retornar ao regime semiaberto. Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão pelos crimes relacionados à morte de Eliza Samúdio, caso que teve grande repercussão nacional e segue sem a localização do corpo da vítima. Disque Denúncia emite cartaz de foragido do goleiro Bruno e pede informações Reprodução Leia a carta na íntegra "CARTA ABERTA ÀS AUTORIDADES Excelentíssimas Autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, À sociedade brasileira, À imprensa Nós, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de seu filho Bruninho, dirigimos -nos a Vossas Excelências e ao povo brasileiro com o coração pesaroso, mas ainda firme na luta por justiça. Escrevemos esta carta em um momento em que a dor, a angústia e a indignação parecem ter se naturalizado em nossas vidas. Escrevemos porque o silêncio não é uma opção. Escrevemos porque o sistema judiciário, que deveria proteger e garantir o cumprimento das leis, tem falhado reiteradamente conosco — e, por extensão, com toda a sociedade. O CASO Bruno Fernandes, condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão pelos crimes de feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver contra Eliza Samudio, encontra-se foragido. Apesar de decisão judicial que determinou sua prisão, ele segue em liberdade — uma liberdade que, como provam os fatos, nunca lhe foi totalmente cerceada. Desde 2023, Bruno não era localizado para assinar o Termo de Compromisso do Livramento Condicional. A Vara de Execução Penal levou três anos para tomar qualquer providência. Enquanto isso, além de ir assistir ao jogo no Maracanã a noite como se livre fosse, ele viajava livremente: para o Espírito Santo (01), para Minas Gerais (08) e para o Acre (01) — sempre com a complacência de um sistema que parece incapaz de monitorar quem deveria estar sob regime semiaberto. O DEBOCHE À JUSTIÇA No dia 15 de fevereiro de 2026, apenas cinco dias após oficializar sua progressão de regime, Bruno viajou sem autorização judicial para o estado do Acre, onde participou de uma partida de futebol pelo time Vasco-AC, no Campeonato Brasileiro. Acompanhada e divulgada nas redes sociais não apenas pela indignação da contratação do Goleiro Bruno, mas também pela afronta de uma homenagem a jogadores presos sob suspeita de estupro coletivo. A cena é estarrecedora: enquanto um feminicida condenado desfila impune, a mãe de sua vítima nunca pôde enterrar a filha, e o filho órfão nunca teve acesso aos restos mortais da própria mãe. A AFRONTA ÀS VÍTIMAS Enquanto Bruno desfruta de privilégios incompatíveis com sua condição de apenado, nós, familiares de Eliza, somos sistematicamente atacados. Somos cobrados, silenciados, invisibilizados. Enquanto ele recebe autógrafos e holofotes, nós seguimos tentando sobreviver ao luto sem corpo, à dor sem reparação, à ausência sem justiça. Bruno recusou-se por duas vezes a realizar exame de DNA, negando a paternidade por anos. Pagou pensão apenas uma vez, - 2 anos acumulados — o suficiente para evitar a prisão. Há quase quatro anos, não contribui com um centavo para a criação do próprio filho. E, ainda assim, o Estado não o notificou? Não o localizou? Não agiu? Como um apenado não é encontrado pela justiça se é obrigado ter seu endereço atualizado? A PERGUNTA QUE NÃO SE CALA Quantas mulheres precisarão morrer ou serem espancadas, mutiladas para que o sistema judiciário leve a sério o cumprimento das penas de criminosos e feminicidas? Quantas famílias precisarão clamar por justiça para que a Vara de Execução Penal cumpra seu papel com eficiência, eficácia e efetividade? Quantos Brunos Fernandes precisarão rir da lei, em praça pública, para que o Judiciário reaja com a devida gravidade? NOSSO PEDIDO Não pedimos vingança. Pedimos justiça. Pedimos o cumprimento integral da lei. Pedimos que a Vara de Execução Penal investigue todas as viagens não autorizadas realizadas por Bruno Fernandes nos últimos anos. Pedimos que o Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado das exigências da Lei de Execução Penal. Pedimos que o Poder Judiciário e a Vara de Execução Penal garanta que a pena imposta seja, de fato, cumprida. Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada. NOSSO COMPROMISSO Seguiremos firmes. Seguiremos denunciando. Seguiremos ocupando o lugar que nos foi negado: o de vítimas que exigem respeito, que exigem justiça, que exigem memória. Não nos calaremos. Não desistiremos. E enquanto houver fôlego, lutaremos para que o nome de Eliza Samudio não seja apenas lembrado como mais uma vítima, mas como símbolo da luta por um país onde feminicidas não sejam tratados como celebridades. Atenciosamente, Sônia Fátima Moura Mãe de Eliza Samudio, Ativista de Direitos Humanos Maria do Carmo dos Santos Madrinha de Bruninho, Ativista de Direitos Humanos e Presidente do Vítimas Unidas Brasil, 16 de março de 2026". Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/03/18/carta-da-familia-de-eliza-samudio-aponta-falhas-da-justica-e-denuncia-privilegios-de-bruno.ghtml


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