'Cada dia que passa eu pioro': mulher com câncer raro luta por tratamento de R$ 6 milhões

  • 23/09/2026
(Foto: Reprodução)
Stefany Roberta foi diagnosticada com câncer raro em 2025 Arquivo pessoal A campo-grandense Stefany Roberta de Oliveira Maia, de 33 anos, vive uma corrida contra o tempo em busca de um medicamento para tratar um câncer raro de pulmão. Casada e mãe de uma menina de 3 anos, ela descobriu a doença em junho de 2025, depois de meses sentindo dores no peito e nas costas. Stefany relatou ao g1 que passou por cirurgias, quimioterapia e tratamento com medicamento oral, mas a doença continuou avançando. Agora, a família tenta conseguir o medicamento zenocotuzumabe, utilizado nos Estados Unidos e que não está aprovado no Brasil para o caso de Stefany. Para importar o tratamento, a família recebeu um orçamento de quase R$ 6 milhões e decidiu iniciar uma campanha de arrecadação. Paralelamente, tenta obter o medicamento por meio do plano de saúde e da Justiça. Dor no peito foi o primeiro sinal Segundo Stefany, as primeiras fisgadas no peito começaram no início de 2025. Como tinha próteses de silicone, ela procurou um mastologista para investigar se havia alguma alteração relacionada às mamas. Os exames realizados em fevereiro de 2025 não apontaram alterações, mas as dores continuaram. Com o passar dos meses, ela também começou a sentir dores nas costas, principalmente do lado esquerdo. Como mantinha uma rotina ativa, fazia musculação e carregava frequentemente a filha pequena no colo, Stefany acreditou que pudesse se tratar de uma lesão muscular. Ela passou a tomar medicamentos e usar pomadas em casa, mas a dor só aumentava. Stefany conta que em maio, os sintomas ficaram mais intensos. No início de junho, a dor já havia chegado a um ponto em que ela não conseguia dormir. "No começo de junho eu já não consegui nem dormir mais de tanta dor nas costas e peito. Eu tomava tudo que podia de remédio. As dores amenizavam mas logo voltava com força". No dia 9 de junho, enquanto dirigia, sentiu uma forte dor no peito e chegou a acreditar que estava sofrendo um infarto. Na manhã seguinte, procurou atendimento no Hospital do Pênfigo, em Campo Grande. Ao contar aos médicos sobre o histórico das dores, Stefany passou por uma série de exames. Uma tomografia do tórax identificou um derrame pleural e uma grande massa localizada na região central do peito, com maior comprometimento do pulmão esquerdo, segundo o relato dela. Ela precisou passar por uma cirurgia para drenar o pulmão e realizar uma biópsia. Cerca de 15 dias depois, veio o diagnóstico. "O médico que me operou me chamou pra conversar e disse que minha situação era grave, e que o câncer já estava em estágio 4, que é o último estágio do câncer. Que eu não tinha cura, e que meu tratamento seria paliativo, apenas para ter qualidade de vida". Exame genético revelou mutação rara Depois do diagnóstico, Stefany procurou um oncologista, que solicitou um exame de mutação genética antes do início do tratamento. Segundo ela, o médico explicou que, em alguns tipos de câncer de pulmão, a identificação de alterações genéticas permite o uso de terapias-alvo, medicamentos direcionados a determinadas características do tumor. 🔎 A terapia-alvo é um tratamento oncológico que utiliza medicamentos para atacar de forma específica as alterações moleculares e genéticas presentes nas células cancerígenas, causando menos danos às células saudáveis "Quando saiu o exame, foi constatado que a mutação que eu tinha era muito rara. Esse câncer é raro, de progressão rápida e difícil prognóstico, ou seja, com taxa de vida muito baixa. O único remédio que poderia ser direcionado a essa mutação existe apenas nos Estados Unidos, e se chama zenocotuzumabe". Segundo ela, também foi informada de que não havia, naquele momento, uma terapia-alvo disponível no Brasil especificamente para sua mutação. Agora no g1 Quimioterapia conseguiu controlar doença inicialmente Diante da ausência da terapia-alvo que buscava, Stefany iniciou quimioterapia tradicional no começo de julho de 2025. "Nos primeiros meses a químio ajudou. Conseguiu frear um pouco a doença. Fiquei bem por um tempo", relata. A situação, porém, mudou em outubro, quando Stefany voltou a apresentar piora. Novos exames identificaram metástases em algumas costelas. Ela então passou por consulta com um médico de São Paulo, que indicou o afatinibe, medicamento que não era específico para a mutação identificada, mas que poderia ser utilizado em alguns casos. Stefany tomou o medicamento durante aproximadamente três meses. Após esse período, novos exames mostraram outras progressão da doença. Segundo ela, foram identificadas metástases em mais costelas, em duas vértebras da coluna e na cauda do pâncreas. Diante do avanço, a equipe médica decidiu retomar a quimioterapia, desta vez com novas medicações. A primeira sessão desse novo tratamento ocorreu no dia 8 de setembro. Logo depois, Stefany passou a apresentar fortes dores e precisou procurar atendimento hospitalar. "Fui ao hospital e viram que meus exames de sangue estavam muito baixos, então resolveram me internar. Fiquei internada até dia 15 de setembro". Diante da progressão da doença e da resposta aos tratamentos realizados até o momento, a família decidiu tentar importar o zenocotuzumabe. Segundo Stefany, a medicação não é aprovada no Brasil, mas a família recebeu a informação de que seria possível realizar a importação. Eles procuraram uma empresa especializada nesse tipo de operação para obter um orçamento. O valor surpreendeu a família: quase R$ 6 milhões. "Ficamos chocados com o valor. Então resolvemos fazer uma vaquinha. Estamos desesperados atrás dessa medicação, porque ela pode ser minha salvação. As quimioterapias não estão surtindo efeito", conta Stefany. Ela afirma que a família decidiu não esperar apenas pelos processos administrativos e judiciais porque considera que a evolução da doença exige rapidez. Segundo ela, os tratamentos realizados até agora não estão conseguindo controlar a doença como esperado. "Cada dia que passa eu pioro mais um pouco. Então estamos correndo contra o tempo para que eu possa viver", afirma. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/09/23/cada-dia-que-passa-eu-pioro-jornalista-com-cancer-raro-luta-por-tratamento-de-r-6-milhoes.ghtml


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