Autismo, alfabetização e alimentação: veja quais livros eram usados em esquema de R$ 27 milhões em MS

  • 11/07/2026
(Foto: Reprodução)
Saúde de MS virou moeda de troca em esquema que fraudou R$ 27 milhões em compra de livros Livros sobre autismo, alfabetização, alimentação saudável, musicalização e prevenção ao uso de drogas estão no centro da Operação Gutenberg, que investiga um esquema de mais de R$ 27 milhões na venda de materiais didáticos e paradidáticos para prefeituras de Mato Grosso do Sul. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a organização criminosa alegava ter exclusividade sobre diversas coleções para justificar compras sem licitação, embora muitos dos livros fossem publicados por outras editoras e estivessem disponíveis no mercado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Entre as obras identificadas nas investigações estão a Série Theo, com títulos como O Mundo Azul de Theo e A Viagem de Theo, além de kits pedagógicos, coleções de alfabetização, livros sobre alimentação saudável e materiais de musicalização. Livros sobre a gastronomia de Mato Grosso do Sul também eram comercializados. Conforme o MPMS, empresários e servidores públicos teriam participado do esquema, e servidores da Secretaria Estadual de Saúde condicionavam a liberação de consultas, exames, cirurgias e internações à compra dos livros comercializados pelo grupo. Entre os investigados estão a empresária Rossana Paroschi Jafar, os filhos Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, além da ex-nora Rhayane Souza Fanaia. Rossana, Olívia e Felipe estão presos. Rhayane foi presa em Goiás. Giovanni teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido. LEIA TAMBÉM: Ex-prefeito, médica e advogados: os presos suspeitos de fraude de R$ 27 milhões com compra de livros em MS Liberação de exames e cirurgias em hospitais públicos dependia da compra de livros em fraude de R$ 27 milhões em MS Justiça mantém presos 9 suspeitos investigados por fraude de R$27 milhões em compra de livros em MS O que se sabe sobre a fraude de R$ 27 milhões na compra de livros que envolve médica, ex-prefeito, advogados e servidores em MS Livros vendidos pela editora investigada. Reprodução Como funcionava o esquema Segundo a investigação, o grupo utilizava principalmente a Editora Avante para vender livros e kits pedagógicos destinados às redes municipais de ensino. Para contratar os materiais sem licitação, a organização apresentava documentos afirmando que possuía exclusividade na comercialização das obras. O Ministério Público afirma, porém, que essa exclusividade era falsa. As investigações apontam que diversos livros pertenciam originalmente a outras editoras, como a Galeria das Letras e a Gráfica e Editora Alvorada, podendo ser comprados livremente no mercado. Na prática, a falsa exclusividade permitia que as prefeituras realizassem a contratação direta da empresa, sem concorrência. Além disso, conforme o MPMS, gestores municipais eram pressionados porque a liberação de procedimentos de saúde pelo Estado estaria condicionada à compra dos materiais. Quais livros eram vendidos Entre os materiais identificados pelos investigadores estão coleções voltadas à educação infantil, alfabetização, inclusão, alimentação saudável e prevenção ao uso de drogas. O principal produto comercializado era a Série Theo, composta pelos livros: O Mundo Azul de Theo; O Fantástico Mundo do Capitão Theo; O Fantástico Navio do Capitão Theo; A Viagem de Theo. As obras tratam do transtorno do espectro autista (TEA) e pertenciam originalmente à editora Galeria das Letras, segundo a investigação. O grupo também comercializava: Kits pedagógicos sobre cores, formas, letras, números e contrários; A coleção Outras Histórias, sobre culturas afro-brasileiras e indígenas; O projeto Craque na Vida, voltado à prevenção ao uso de drogas, bullying e ética; A coleção Defensores da Vida Saudável, com livros sobre alimentação; A coleção Aprender Fazendo, de apoio à alfabetização; Os livros Musicando, sobre musicalização infantil; Materiais sobre higiene bucal e combate à dengue; Livros como A Menina que Não Queria Comer, Cada Um com Seu Jeito e Tantos Traços; Obras regionais, como Cheiros & Sabores, Mani-oca, Fazendas – Uma Memória Fotográfica e Pantanal: Aves e Cores. Família está entre os principais investigados Família Paroschi Jafar, suspeita de esquema em Campo Grande. Redes sociais/Reprodução Cinco integrantes da família Paroschi Jafar aparecem entre os investigados pelo Ministério Público. São eles: Rossana Paroschi Jafar, empresária ligada à Gráfica Alvorada; Olívia Paroschi Jafar, médica e empresária; Felipe Paroschi Jafar, engenheiro e ex-servidor comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul); Giovanni Paroschi Jafar, empresário, atualmente foragido; Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana e ligada à Editora Avante. Segundo o MPMS, o grupo utilizava empresas do setor gráfico para comercializar os livros às prefeituras. Mais de R$ 27 milhões em contratos Ao todo, 16 pessoas tiveram mandados de prisão decretados durante a Operação Gutenberg. Segundo o Ministério Público, os contratos investigados ultrapassam R$ 27 milhões. A suspeita é de que os recursos públicos fossem distribuídos entre integrantes da organização, servidores públicos e empresas para ocultar a origem do dinheiro. As investigações também apontam que o grupo continuava atuando e mantinha contratos ativos em diversos municípios de Mato Grosso do Sul. O que dizem as defesas A defesa de Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Matheus Oliveira Peixoto e Joatan Gomes Peixoto informou que ainda não teve acesso aos autos do processo. O g1 não conseguiu localizar as defesas de Rossana Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Giovanni Paroschi Jafar e Jéssyca Burgatt. A defesa de Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior afirmou que ainda não teve acesso à íntegra do processo e que só irá se manifestar após conhecer o conteúdo dos autos. A reportagem também aguarda retorno das defesas de Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo. Já a defesa de Heyder Bartz informou que ainda não teve acesso formal à decisão que determinou sua prisão, mas afirmou que o investigado se colocou à disposição da Justiça para colaborar com as investigações. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/07/11/autismo-alfabetizacao-e-alimentacao-veja-quais-livros-eram-usados-em-esquema-de-r-27-milhoes-em-ms.ghtml


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