Alcides Bernal: morre ex-prefeito de Campo Grande preso acusado de matar auditor
13/07/2026
(Foto: Reprodução) Alcides Bernal morreu nesta segunda-feira (13) em Campo Grande
O ex-prefeito Alcides Bernal morreu na madrugada desta segunda-feira (13), na Santa Casa de Campo Grande, aos 60 anos. Ele estava preso no Presídio Militar desde 24 de março, acusado de matar o servidor público Roberto Carlos Mazzini durante uma disputa pela posse de um imóvel.
Bernal respondia por assassinato de servidor que comprou casa em leilão; relembre
Antes de morrer, Bernal teve 3 pedidos da defesa negados; último foi por prisão humanitária
A causa da morte não foi divulgada até o momento. Bernal havia sido internado no dia 30 de junho, após passar mal no Presídio Militar, onde estava preso. Na ocasião, passou por um procedimento cardíaco. Conforme a defesa, exames identificaram uma série de lesões no coração. Após receber alta, ele retornou ao presídio.
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Neste fim de semana, o ex-prefeito voltou a passar mal e foi levado novamente para a Santa Casa. A nova internação aconteceu um dia após a Justiça negar o pedido de prisão domiciliar. Ao g1, o advogado de defesa Ricardo Machado informou que Bernal desmaiou no Presídio Militar. Ao chegar ao hospital, ele foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido ao estado de saúde.
Bernal será velado no Cemitério Jardim das Palmeiras a partir das 11h desta segunda-feira (13). O sepultamento está previsto para as 16h, no mesmo local.
Ex-prefeito Alcides Bernal morreu em Campo Grande.
g1 MS
“Ele começou com cateterismo, mas depois foi submetido a uma angioplastia coronariana. E dessa angioplastia, ele foi submetido depois a outra angioplastia, quando foi colocado os stents nele”, disse a defesa.
A defesa afirmou ainda que apresentou diversos pedidos de prisão domiciliar para Bernal em razão dos problemas cardíacos que ele já enfrentava, inclusive antes da cirurgia realizada no fim de junho. Segundo o advogado, o ex-prefeito era um paciente cardíaco de alto risco.
Ainda conforme a defesa, um ofício do próprio Presídio Militar informava que a unidade não tinha condições adequadas para manter Bernal devido ao estado de saúde dele.
"Houve uma alerta da defesa ao Poder Judiciário desde o início do processo de que ele possuía doença grave, foi alertado essa semana que ele não poderia retornar ao presídio, fizemos um pedido de domiciliar, fizemos um pedido adendo, de uma questão temporária de ele retornar para casa, isso não aconteceu. Ficou com certeza um sentimento de frustração", afirmou.
Preso por homicídio
Alcides Bernal durante depoimento na delegacia.
Reprodução/Vídeo
Segundo as investigações, Roberto Carlos Mazzini e um chaveiro estavam em uma residência, na Rua Antônio Maria Coelho, quando foram surpreendidos por Bernal. O imóvel havia pertencido ao ex-prefeito, foi levado a leilão judicial e arrematado por Roberto Carlos Mazzini.
Bernal era acusado de atirar duas vezes contra o servidor e fugir sem prestar socorro. Horas depois, ele se apresentou à polícia e permaneceu preso no Presídio Militar de Campo Grande.
No dia 30 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o habeas corpus que pedia a liberdade do ex-prefeito. A decisão foi tomada menos de uma semana após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinar que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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Trajetória política
Alcides Bernal era natural de Corumbá, advogado, radialista e político. Em 2004, foi eleito vereador em Campo Grande e presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito. Em 2008, foi reeleito e passou a comandar a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. Já em 2010, foi eleito deputado estadual.
Em 2012, foi eleito prefeito de Campo Grande e permaneceu no cargo até 2014, quando teve o mandato cassado. Na época, era filiado ao Partido Progressistas (PP).
Dos 29 vereadores, 23 votaram a favor da cassação por irregularidades em contratos emergenciais. Com a decisão, ele perdeu o mandato, e o vice-prefeito, Gilmar Olarte, assumiu a prefeitura.
A denúncia foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal em 30 de setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. A denúncia foi aceita, e uma comissão processante foi criada para investigar o caso.
No processo, Bernal afirmou que não havia provas de irregularidades. Durante a votação, usou a tribuna para se defender e disse que agiu para proteger o interesse público.
Em 2015, voltou ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Por dois votos a um, os desembargadores determinaram o retorno em agosto daquele ano, um ano e cinco meses após a cassação. Ele permaneceu até o fim do mandato, em 2016.
Após a decisão, afirmou que "a Justiça pode tardar, mas não falha", em entrevista ao g1. Ele concorreu à reeleição em 2016, mas não chegou ao segundo turno, ficando de fora por 2.630 votos.
Com a decisão, Bernal perdeu o mandato de prefeito, e o vice-prefeito, Gilmar Olarte (PP), assumiu o comando da administração municipal.
Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, morre após passar mal em presídio
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